Ganhamos no corpo um sopro
Uma luz que nos faz caminhar,
E para entreter nesta viagem
Ganhamos como bagagem um coração e um cérebro.
Enquanto um pulsa, se diverte, dança
O outro reflete, questiona, pondera e quer tudo entender.
O corpo parece uma mola tentando se equilibrar nesta corda viva que é a vida.
E como seria esta vivência entre eles?
Tem dias que a mente pensa em desistir
Cansada de tentar e tentar,
Procurar caminhos e nunca encontrar, então silencia.
O coração desesperado com a quietude interior grita "mais amor".
Busca no livro das mémorias uma breve história que o reanime
E o faça compreender que tudo passa.
Sem medir esforços, o coração dança, canta, balança, encenando tudo o que passou.
A mente sorri, uma luz acende e ela compreende que é preciso seguir,
Não dá para ficar parada numa corda que se movimenta.
Inebriada por tudo que já foi, decide tentar outra vez.
O que seria da vida se não fosse viver assim
Numa eterna montanha-russa
Que tem instantes que assusta
Mas em muitos encanta, surpreende e nos faz?
Quando tudo parecer sem chão
Flutue e perceba lá do alto a beleza que a vida é
Assim, imperfeita, cheia de mistérios, repleta de surpresas
Que nos encontram enquanto mantemos a fé.
Tânia Gorodniuk
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