quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Silenciar...

Hoje eu levantei as 3h da manhã e me deparei com um céu estrelado, lindo. Pela manhã as 6h o céu estava nublado e as 7h o Sol nasceu. Reparem nestas fotos como o céu muda de uma hora pra outra, assim é a nossa vida, hoje está aqui, depois não está mais.
Nestes últimos meses tenho vivenciado uma nova experiência. Fui quatro vezes para Ribeirão e lá eu me reencontrei quanto a parte espiritual. A gente acaba deixando a vida nos levar e esquece de muita coisa a fazer, como manter o espírito.
Pela minha experiência de vida desde pequena sempre aprendi a ser forte, quem olha de fora acha tão fácil, mas só quem vive sabe as marcas que tem dentro de si. Fui criada para se defender, ser independente, se você quer algo, faça, não espere. Este sempre foi o meu lema. Mas tenho um lado muito forte o da emoção, o coração que não fala, GRITA! Talvez por estar sozinha sempre senti a falta de alguém. Mas Deus nestes anos todos sempre me enviou anjos para ficar do meu lado durante algum tempo, depois eles íam embora e chegavam outros no lugar, e assim foi acontecendo até os dias de hoje. Agora eu entendo porque as pessoas vão e veem em nossa vida.
Como todos sabem o meu casamento de vinte anos acabou e hoje eu sei que foi porque deveria ser. Vivendo nestes últimos meses completamente sozinha comigo mesma eu estou aprendendo muita coisa sobre a vida, sobre as pessoas, sobre mim.

A palavra da vez é SILENCIAR, o que quer dizer? A gente entende que o silêncio é a ausência de ruídos. Mas hoje vou falar de silenciar a mente, o coração e a alma. Silenciar a mente é quase impossível, quando você pensa em relaxar a mente já formulou mil questões. O coração já bateu milhões de vezes por minuto e a alma então foi e voltou.

Como é este silenciar?
Imagine você na janela olhando para o horizonte, você vê uma tempestade se aproximando, sabe o que vai acontecer e no entanto permanece imóvel seguro que você continuará ali depois que ela passar por você. É isso, hoje eu sei o que vai acontecer, percebo que está chegando muito rápido e que depois que tudo passar eu continuarei ali firme de pé para o raiar do Sol.  Como cheguei a ter esta segurança? As experiências que tive em todos estes anos, ao qual não tenho vergonha de falar. Passei fome e via minha mãe chorar por não ter comida na mesa, tivemos que exercitar a nossa fé desde cedo. Como levantar ainda machucados e andar até alcançar o nosso objetivo. Agora depois de ser mãe, acreditar que seu filho doente que acabou de nascer seria mais um vencedor e viveu. Coisas do dia a dia que não há mais opção, só um milagre divino. Se eu for contar todos daria um livro. Graças a Deus por isso, pois através destes momentos a minha fé está aqui.
Admito que tenho medo, choro, enfraqueço às vezes, mas ele vem e me dá forças, nem eu sei de onde vem. Hoje a minha força vem de três pessoinhas que dependem de mim e por elas eu vou até o fim.
Voltando ao silenciar, as nossas emoções quando estão latentes só enxergamos o que os olhos do corpo veem, é preciso aprender a enxergar o que não se vê, mas se sente, esta é a Fé. Respirar, acalmar o batimento cardíaco requer prática. Mas um passo essencial que aprendi na terapia foi a ACEITAÇÃO, o que é isso? Aceitar as coisas como elas são, aceitar os seus limites, aceitar que no momento não há o que fazer, aceitar que o outro não é você, aceitar que cada um é um e respeitar a todos.
Escrever é fácil, fazer leva meses...

Às vezes sinto que um caminhão passou por mim e em outras me sinto uma rocha. Estou aprendendo e da melhor maneira, na prática, na vivência, não dá para pensar é preciso agir.
Chegar aqui e olhar a tempestade chegando com tudo e não se mover requer um equilíbrio fora do comum e pra chegar neste estágio foi preciso muitos tombos, muito aprendizado. Por este motivo não reclamo do que passei, porque se não tivesse passado talvez não chegaria até aqui, teria lá atrás me perdido ou desistido. Quando eu olho para frente e sinto minhas forças indo embora, eu respiro e digo a mim mesma, você não tem o direito de desistir, e assim eu prossigo.

Peço a Deus todos os dias força, agradeço pela vida e que ele me ensine a cada dia um pouco mais, mesmo que machuque um pouco eu sei vai passar. Tudo passa e com ele mais fácil.

Agora só me resta silenciar, perceber que o que vejo é o que passa e o que não vejo é o que vem pra ficar.
Sei que muitos não entenderão o que eu relatei, mas com o tempo ficará mais fácil compreender.
Que Deus possa te ensinar a olhar a vida com os olhos da fé e sentir que tudo isto vale a pena.

Tânia Gorodniuk

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